Curitiba deverá ter eventos teste para retomadas de shows

25 de setembro de 2020

Após dados alarmantes, profissionais da área de eventos foram recebidos na Prefeitura de Curitiba.

Teatro Ópera de Arame em Curitiba | Foto: Lening Abdala

 

Não há dúvidas de que essa pandemia gerou um grande impacto negativo em diversos setores, inclusive o de entretenimento/eventos, que foi um dos mais prejudicados.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), mais de 90% dos serviços que estavam previstos para acontecer em 2020 foram cancelados, adiados ou estão em uma situação incerta. Acredita-se que até outubro mais de 450 mil eventos deixarão de acontecer.

A entidade, que reúne entre seus associados cerca de 60% do PIB de eventos do país, também divulgou outro dado alarmante. O estudo informa que os cancelamentos e adiamentos resultaram, até o fim de abril, na perda de empregos de mais de 240 mil pessoas. Ao que tudo indica, em outubro este número poderá chegar a 840 mil.

Por conta desses dados e da atual situação vivida pelos trabalhadores do setor de eventos, representantes da Abrape foram recebidos na última sexta-feira (18 de setembro) na secretaria do governo na Prefeitura de Curitiba para discutir sobre a retomada do setor de eventos na cidade.

Entre os pontos abordados, foi proposta a realização de dois eventos testes em Curitiba, seguindo protocolos específicos, que devem acontecem a partir da segunda quinzena de outubro, e que serão validados pelos gestores das secretarias que tratam diretamente do tema.

Para os eventos, os representantes planejam uma feira de negócios e um show musical, que será pioneiro no Brasil. Sobre a pauta, Mac Lovio Solek, vice-presidente da Abrape na região Sul e que esteve presente na reunião, comentou:

“A partir da próxima semana, afinaremos isso, prevalecendo a excelência do modelo, que prima a saúde e integridade dos participantes e profissionais envolvidos na realização, com o objetivo de vislumbrar como seria uma possível retomada do setor diante de protocolos, normas, muito controle e seriedade.”

Outros temas também foram discutidos durante a reunião. Entre eles, a lentidão do retorno dos eventos por causa do descaso de uma parte da população no consumo de serviços e produtos em alguns ramos de atividades, em que empresários e consumidores não estão tomando os cuidados necessários e não existe uma fiscalização adequada do governo em relação a isso.

Também foi colocada em pauta a defesa de recursos para que a subsistência do setor seja garantida até que os eventos possam retornar de forma mais abrangente, como o auxílio emergencial e a Lei Aldir Blanc.

A Lei Aldir Blanc, que leva o nome do compositor que morreu vítima da Covid-19 em maio deste ano e que foi criada para socorrer o setor cultural e de eventos durante a pandemia, foi aprovada pelo Senado em junho, e no início de setembro, segundo a Agência Brasil, o Ministério do Turismo (MTur) começou os repasses para os estados e municípios dos recursos previstos na Lei.

Leia o comentário de Mac Lovio sobre o assunto:

“Os recursos federais e municipais são muito importantes nesse momento, para ajudar as empresas, principalmente, a garantir empregos aos colaboradores, como também ajudar aos profissionais de eventos e músicos, mas infelizmente muito pouca gente se beneficia de recursos anunciados que dificilmente chegam na ponta. Nesse momento, se os governos nos deixassem trabalhar, empresas e profissionais, poderíamos de forma mais direta e efetiva minimizar um pouco a crise do setor que está em frangalhos.”

A pesquisa da Abrape apontou que 92% das empresas associadas à entidade relataram prejuízos que, juntos, somam R$290 milhões. A Associação acredita que esse número ainda pode chegar à casa dos bilhões se forem somadas toda a cadeia produtiva do setor de eventos, que envolve cerca de 60 mil empresas.

Fonte: TMDQA!

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